Teorias conspiratórias das Copas

O blog de José Roberto Torero publicou um texto dos autores Lino e Cláudio Porto sobre as teorias conspiratórias das Copas. Achei engraçado e tomei a liberdade de reproduzi-lo aqui. É longo, mas vale a pena.

1930 – Uruguai (campeão: Uruguai). Tudo combinado. Uruguai faria e venceria a de 30. Argentina faria e venceria a de 34. Em 38 o tira-teima entre eles, no Paraguai.

1934 – Itália (campeã: Itália). Título merecido. Benito Mussolini mostrou ao mundo o que um governo moderno, ético e bem administrado pode fazer dentro e fora de campo.

1938 – França (Itália bi). A FIFA temia que um líder democrático como Adolf Hitler triunfasse. Mesmo com a forte Áustria anexando-se à Alemanha, a Itália de Mussolini novamente nos ensinou como a firme condução de um país reflete-se diretamente no bom futebol jogado por sua seleção. Sem falar que Meazza foi melhor que Pelé…

1942 / 1946 – Era para ser na moderna Alemanha nacional-socialista, mas a FIFA recusou-se a promover a Copa sob a frouxa alegação de que não havia condições devido à guerra do resto do mundo contra o eixo democrático. Mera desculpa para impedir o triunfo da então poderosa nação alemã. A imprensa internacional, sempre dominada pelos semitas, chegou ao absurdo de inventar essa história de campos de concentração, em que até hoje muitos tolos creem.

1950 – Brasil (Uruguai bi). Fontes secretas afirmam que o presidente Dutra, a mando de Vargas, teria enviado caças da FAB para abater o avião do Torino em 1949, o que facilitaria o triunfo da seleção do popular governo trabalhista brasileiro no ano seguinte. Mas a tese mais coerente é que Barbosa, infalível goleiro brasileiro, teria se vendido por rios de dinheiro e levado uma vida nababesca após abandonar o futebol, a ponto de bancar alguns jornalistas para tentarem nos convencer do contrário.

1954 – Suíça (Alemanha campeã). Auge da Guerra Fria. Era imprescindível ao capitalismo internacional que a invencível e socialista Hungria fosse derrotada. Sem falar que a Alemanha precisava a todo custo conter o crescente desejo interno pela volta do fascismo democrático em sua pátria. …E ainda dizem que a Suíça é neutra!

1958 – Suécia (Brasil campeão). O jovem Havelange fez um acordo com os franceses para tentar impedir que os ingleses chegassem ao poder máximo na FIFA. A França, disparado melhor time daquela Copa, venceria em 58. Depois o Brasil venceria em 62. Em 66, França. E assim, sucessivamente… O plano só não deu certo porque a comissão técnica brasileira falhou ao explicá-lo para aquele ponta-direita escalado à última hora.

1962 – Chile (Brasil bi). Simples: copa comprada pela CBD… Que Garrincha, que nada! Jogador mediano. Driblava sempre para o mesmo lado. Não era tudo isso que diziam. O tal Mané foi apenas uma invenção da imprensa carioca, notadamente a botafoguense, reduto de intelectuais boêmios com mania de poesia.

1966 – Inglaterra (Inglaterra campeã). O decadente capitalismo anglo-saxão estava cansado das conquistas latinas. Britânicos e germânicos se unem para impedir o tri canarinho, que foi ao Reino Unido com uma seleção super organizada. O conluio: Inglaterra em 66, Alemanha em 70 e Bélgica em 74, para não dar na vista. E o juiz da final era um suíço…

1970 – México (Brasil tri). Pelé? Sem dúvida um bom jogador, mas aquelas “famosas” jogadas que não terminaram em gols foram combinadas com os goleiros adversários, inclusive com truques de câmera para endeusá-lo posteriormente. Pelé foi uma invenção da imprensa neoliberal paulista, através de jornalistas como Juca Kfouri e José Torero, saudosistas corno-mansos, que ainda acreditam que futebol se decide dentro de campo. Essa “conquista” brasileira só foi possível graças à destacada atuação do ultra popular presidente Médici, que além de escalar o ousado Zagallo como treinador, no lugar do retranqueiro comunista Saldanha, mandou convocar o genial atacante Dario Beija-Flor, demonstrando que seus conhecimentos iam muito além do mero terreno da democracia.

1974 – Alemanha (Alemanha bi). Milhares de alemães ocidentais arriscando suas vidas para cruzar o Muro de Berlim em busca de uma vida melhor no lado oriental, socialista. Óbvio que a imprensa burguesa mundial tentava noticiar o contrário. Neste contexto de Guerra Fria, era natural que o timaço da Alemanha Oriental fosse garfado, restando apenas a boa, mas conservadora, equipe holandesa, apelidada de “laranja mecânica” em alusão a um obscuro filme dos anos 70 em que seus personagens primam pela violência. Tudo para facilitar a vitória da fraca equipe alemã capitalista, na qual se destacava o mediano Beckenbauer.

1978 – Argentina (Argentina campeã). Única copa ganha somente nos gramados. Cansada de ser roubada ao longo da história, a Argentina enfim vence a sua, e com tamanha categoria que seu treinador chegou a dispensar o jovem Maradona, indiscutível maior jogador de todos os tempos, conforme eleição transparente, realizada sob os mais rígidos critérios pela FIFA através da Internet. Contaminados por teorias conspiratórias, alguns ingênuos defendem a tese de que o holandês Cruijff abdicou (covardemente) de jogar a copa por desconfiar que o democrático governo militar do país vizinho teria comprado a taça em acordo com seu co-irmão brasileiro, sob aval do bravo selecionado peruano.

1982 – Espanha (Itália tri). O juiz da decisão foi Arnaldo César Coelho, para quem a regra era clara: a Alemanha não poderia vencer de modo algum, pois a máfia italiana havia prometido denunciar que o esquema das loterias (motivo de injusta punição ao excepcional Paolo Rossi) ia muito além das fronteiras da Bota. A FIFA acertou o tri italiano com a Cosa Nostra em troca de silêncio. Lamenta-se apenas o bom time brasileiro ter ficado pelo caminho, deixando gênios como Valdir Peres, Paulo Isidoro e Serginho Chulapa sem terem erguido uma taça do mundo. Às vezes o futebol é injusto.

1986 – México (Argentina bi). Apesar de Maradona ter feito uma copa razoável, a conquista fora previamente acertada com a Inglaterra e a ONU, como compensação ao pacífico governo portenho por ter concedido aos britânicos o direito de usarem as Ilhas Malvinas, após empate no referido conflito bélico entre as duas poderosas nações. Outra versão, baseada em farta documentação secreta, garante que o título seria francês, em combinação com os brasileiros (daí o pênalti bisonhamente perdido por Zico), como forma de humilhar ainda mais a Grã-Bretanha. Na verdade, outro acordo de bastidores é que prevaleceria nesta e na próxima copa… Afinal, por que a imbatível Alemanha entregaria tão fácil duas finais seguidas?

1990 – Itália (Alemanha tri). A bela seleção de Lazzaroni surpreendentemente fora; repetição da decisão entre Argentina e Alemanha, derrotada facilmente nas duas edições anteriores; pênalti inexistente na final… Meras coincidências? Óbvio que o objetivo era acelerar a unificação alemã após a queda do Muro de Berlim, conquista do valoroso povo ocidental que pôs fim a sua tirania. Bom lembrar que Joseph Blatter é germânico. Segunda copa seguida que o esquema funcionou com precisão. E a terceira final entre os dois países estava armada para ser na Colômbia em 94…

1994 – EUA (Brasil tetra). O imperialismo ianque, em franca decadência, roubou a sede do país sul-americano, alegando insegurança gerada pelo tráfico de drogas (?), fato que causou imensa revolta popular não divulgada pela grande imprensa, pois a Colômbia, além de pacífico exportador de café, era também uma das favoritas ao título. Posando de democratas, os estadunidenses exigiram que a copa fosse decidida nos pênaltis, de modo a agradar os imigrantes ítalo-americanos e hispânicos (para eles, o Brasil é hispânico), abafando a pressão popular que ameaçava irromper no seio de Tio Sam. Deu certo: o conservador Clinton foi reeleito. Chegaram ao cúmulo de excluir Maradona do certame, justo no auge de sua forma física, sob uma estapafúrdia alegação de doping.

1998 – França (França campeã). A história só é conhecida entre nós graças à Internet, que nos permite divulgar as verdades que essa imprensa golpista tenta nos omitir, como o célebre dossiê das multinacionais do esporte com a CBF: França vence em 1998, Brasil em 2002, França em 2006 e Brasil em 2010. Tudo parecendo o mais natural possível. Ronaldo não concordou e inventaram aquela história enrolada da língua enrolada. Um dia Edmundo contará toda a verdade. Os traidores da pátria receberam polpudo prêmio pelo vice. Gonçalves e Júnior Baiano, entre outros, vivem hoje como milionários sem precisarem explicar a origem de tanto dinheiro. Tudo para que o silêncio se mantenha sobre o restrito grupo dos 44 jogadores envolvidos, seus familiares e amigos.

2002 – Coreia/Japão (Brasil penta). Esquema funcionando. Sabedor do acordo, Felipão dá-se ao luxo de deixar Romário de fora para convocar o cerebral Anderson Polga. Os países anfitriões, mesmo inimigos, aceitam fazer a copa juntos apenas para provar ao mundo que são mais poderosos que a China, o que corrobora a nova correlação de forças da geopolítica planetária globalizada… Por via das dúvidas, conforme todos já desconfiavam, Oliver Khan estava comprado na final.

2006 – Alemanha (Itália tetra). O acordo franco-tupiniquim quase funcionou de novo. Só muito dinheiro para explicar o medíocre Zidane passeando em campo sem marcação e aquele ridículo ato de arrumar a meia em pleno ataque francês. O problema para esses conspiradores é que há sempre alguém de reputação ilibada que não se vende: Materazzi, elegante zagueiro italiano, provou que honestidade não tem preço.

2010 – África do Sul (?). Com o acirramento da grave crise econômica nos EUA, comenta-se que a FIFA já teria um plano para tornar os ianques campeões mundiais, alterando o cenário futebolístico internacional e reduzindo, por tabela, o crescente poder da UEFA. Como o fim do império americano nunca esteve tão próximo, e eles quase venceram a última Copa das Confederações, é bom ficarmos alertas.

2014 – Brasil (?). Será a copa mais bem organizada da história deste país, sem nenhum desvio de verba, superfaturamento, caos aéreo ou qualquer outro fato que macule a imagem de nação ordeira e organizada que o Brasil possui. A final será no Maracanã e o Brasil jogará por um empate…

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One Comment em “Teorias conspiratórias das Copas”

  1. Netão Says:

    Muito bom esse texto. Tem muita coisa aí que é bem capaz de ter acontecido mesmo.hehe


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