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Os erros do Almanaque

23/01/2010
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Sei que estou postando pouco aqui. Outros afazeres me impedem de dedicar um pouco mais de tempo ao Offside, mas prometo que em breve a coisa pegará no tranco novamente. Afinal, como todos sabemos, 2010 é ano de Copa do Mundo (grande novidade).

Pois bem, nesta retomada falarei do Almanaque do Futebol Sportv. Escrito pelos jornalistas Gustavo Poli e Lédio Carmona, o livro se propõe a dar uma geral no esporte bretão desde os seus primórdios até os dias atuais. Obviamente, traz diversas informações sobre as Copas do Mundo.

Só que percebi vários enganos na edição que possuo (não há especificação, acredito que seja a primeira) e enviei e-mails – há um bom tempo – listando as falhas encontradas tanto para um dos autores, Lédio Carmona, como para a editora, Casa da Palavra. Não obtive resposta.

A minha intenção, única e exclusiva, era a de impedir que as próximas edições trouxessem os mesmos equívocos. Pelo que pude perceber, o Almanaque começou a ser escrito antes da Copa de 2006, mas só foi publicado em 2009. Abaixo, listo os erros que encontrei.

Separei os assuntos por tópicos e pelas páginas que se encontram.

Página 52: Os Exportados das Copas – Eduardo da Silva não foi convocado pela Seleção da Croácia na Copa de 2006.

O brasileiro naturalizado croata Eduardo da Silva

Página 53: Citação no Rodapé – Terry Venables não foi o técnico da Inglaterra na Copa de 1990. O trabalho coube a Bobby Robson. Venables dirigiu os ingleses na Euro 1996 e foi eliminado pela Alemanha nos pênaltis. Acho que daí ocorreu a confusão.

Página 95: O Soviético Amigo – O texto informa que o árbitro da final de 1966, Gottfried Dienst, era alemão, quando na verdade era suíço.

Página 96: Insistindo no Erro – O livro afirma que Alemanha x EUA se enfrentaram pelas oitavas-de-final da Copa de 2002, mas o confronto se deu nas quartas-de-final.

Página 102: Gordon Banks – O goleiro inglês não é o recordista de tempo sem levar gols em Copas. O posto é de Walter Zenga, italiano, que passou 517 minutos sem tomar gols em 1990.

Gordon Banks

Página 112: Gerd Müller – Entendo que alguns trechos do livro tenham sido escritos antes da Copa de 2006, mas como a publicação só foi lançada em 2009, é necessário atualizar as informações. Todos nós sabemos que, desde 2006, Gerd Müller foi superado por Ronaldo como o artilheiro que mais fez gols em Copas.

Página 134: A tragédia do Sarriá – Ora, assim ficou conhecido o jogo em que o Brasil foi eliminado pela Itália na Copa de 1982. Itália, que dias depois, levantaria o título do Mundial da Espanha, com Enzo Bearzot como técnico. A ficha do jogo, no entanto, traz Ferruccio Valcareggi como treinador italiano. Valcareggi havia sido vice campeão com a Itália 12 anos antes, na Copa do México.

Encontrei outros enganos, mas que não têm ligação com as Copas do Mundo. Como este blog se propõe a falar apenas dos mundiais, foi nisso que foquei o texto.

PS. Não estou aqui querendo ser o dono da verdade. Também erro, como todos nós erramos. Apenas quis cooperar com para que a próxima edição viesse mais acertadinha, e entrei com contato com o pessoal que escreveu o livro bem antes de tornar o assunto público. Respeito muito os autores, considero-os grandes jornalistas.

Fontaine e os 13 gols que abalaram o mundo

23/10/2009
Just Fontaine

Just Fontaine

É marroquino o jogador que mais fez gols em uma Copa do Mundo. Naturalizado francês, Just Fontaine até hoje detém tal recorde, estabelecido na Copa de 1958, ao marcar 13 vezes. O jogador, nascido em Marrakech, passou a atuar no futebol da França a partir de 1953. Já naquele ano naturalizou-se e passou a defender a seleção azul.

Em todas as Copas, somente Ronaldo (15 gols em quatro Copas) e Gerd Muller (14 em duas) superam a quantidade de gols de Just Fontaine. Em um só Mundial, quem que mais se aproxima é o húngaro Kocsis, que fez 11 gols em 1954.

Justo também é dono de outra particularidade na história dos Mundiais. Ao lado de Gighia (1950) e Jairzinho (1970), ele é o único jogador a marcar gols em todas as partidas disputadas numa só Copa.

Foram seis os jogos disputados por Fontaine em 1958. Média superior a dois gols por jogo. Integrando uma linha de frente formada por Kopa, Piantoni, o artilheiro começou a balançar as redes contra o Paraguai. Foram três na vitória por 7×3. Anotou mais dois na derrota por 3×2 para a Iugoslávia e um no triunfo de 2×1 em cima da Escócia. Seis gols apenas na primeira fase.

Nas quartas-de-final foram dois nos 4×0 sobre a Irlanda do Norte. Nas semifinais diante do Brasi, no entanto, Fontaine pouco pôde fazer. Marcou um gol, mas sua Seleção sucumbiu à maestria do Brasil, que se sagraria Campeão Mundial pela primeira vez. Vavá, Didi e Pelé (com três gols), fizeram com que a França se contentasse apenas com a disputa do terceiro lugar.

Fontaine marca mais um em 1958: 13 gols na única Copa que jogou

Fontaine marca mais um em 1958: 13 gols na única Copa que jogou

Não foi de todo ruim para Fontaine. O artilheiro marcou quatro vezes diante da Alemanha Ocidental (placar final 6×3) e chegou aos 13 gols em uma só Copa. Dois anos depois ele sofreu uma fratura na perna, o que abreviou a sua carreira nos gramados.

Em 2008, a Federação Francesa de Futebol elegeu o seu melhor jogador nos últimos 50 anos. Mesmo tendo um histórico de craques como Zidane e Platini, Fontaine foi agraciado com o prêmio. Palmas para Justo.