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Primeira derrota do Uruguai aconteceu em 1954

01/05/2010

Em 1954 o Uruguai, bicampeão mundial, chegava à Suíça para a disputa de mais uma Copa. O curioso é que foi apenas na quarta partida daquela competição – semifinal contra a Hungria – que a Celeste veio perder um jogo de Copa do Mundo.

Hungria marca contra o Uruguai em 1954: primeira derrota celeste em mundiais veio após 11 jogos

Explica-se. Até então, o Uruguai havia disputado somente dois mundiais: 1930 e 1950. Um impressionante aproveitamento de 100% em títulos. Eram oito jogos disputados – quatro em cada Copa – com sete vitórias e um empate.

A campanha de 54 começou de vento em popa. Duas vitórias na primeira fase: 2×0 sobre a Tchecoslováquia e 7×0 na Escócia. Nas quartas-de-final, triunfo sobre a Inglaterra por 4×2.

O time que tirou a invencibilidade de 11 jogos dos uruguaios em Copas do Mundo foi a Hungria. Mesmo assim, os nossos vizinhos venderam caro a derrota. Sem Puskas, mas com Czibor e Hidegkuti, a seleção magiar abriu 2×0. Os uruguaios foram buscar o empate, com gols aos 30 e aos 41 minutos do segundo tempo.

Húngaros comemoram vitória no estádio La Pontaise, em Lausanne. Partida aconteceu em 30 de junho de 1954

Na prorrogação, Sandor Kocsis, o artilheiro daquela Copa com 11 gols, balançou a rede por duas vezes e classificou a Hungria para a final contra a Alemanha – decisão que perderia de virada, por 3×2.

Na disputa do terceiro lugar, o Uruguai conheceu novo tropeço e a medalha de bronze ficou com a Áustria: 3×1. Até hoje, a Seleção recordista de jogos invictos em Copas do Mundo é o Brasil de 1994-1998: 13 jogos sem derrota.

Campanha do Uruguai em Copas do Mundo até 1954.

1930
Primeira Fase:
1×0 Peru
4×0 Romênia

Semifinal:
6×1 Iugoslávia

Final:
4×2 Argentina

1950
Primeira Fase:
8×0 Bolívia

Quadrangular Final:
2×2 Espanha
3×2 Suécia
2×1 Brasil

1954
Primeira Fase:
2×0 Tchecoslováquia
7×0 Escócia

Quartas-de-final:
4×2 Inglaterra

Semifinal:
2×4 Hungria

Decisão do terceiro lugar
1×3 Áustria

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Briga e gols em Berna

05/11/2009
Nílton Santos é expulso de campo contra a Hungria

Nílton Santos é expulso contra a Hungria

A Batalha de Berna. Assim ficou conhecida a partida válida pelas quartas-de-final da Copa de 1954, na qual a Hungria venceu o Brasil por 4×2 e mandou nossa Seleção mais cedo pra casa. O time húngaro, sensação do Mundial da Suíça, acabaria como vice-campeão, perdendo para a Alemanha na final.

Era indiscutível a qualidade da Hungria. Na partida contra o Brasil, logo aos sete minutos, já vencia por 2×0 – gols de Hidegkuti e Kocsis. O Brasil conseguiu diminuir aos 18, com Djalma Santos cobrando pênalti.

Na volta do segundo tempo, novamente os húngaros colocaram dois gols de diferença no placar, com Lantos, também de pênalti. O ponta direita Julinho Botelho diminuiu outra vez para o Brasil, aos 20. E aí a pancadaria começou.

Nilton Santos, o gentleman, que mais tarde se tornaria a Enciclopédia do Futebol, estranhou-se com Bozsik e foram expulsos. Minutos mais tarde o atacante Humberto Tozzi agrediu Lorant e também foi mandado para o chuveiro. Ainda deu tempo para Kocsis, artilheiro daquele mundial, marcar mais um, no finalzinho.

Terminada a partida, mais confusão nos vestiários. O craque Puskas, que não havia jogado por estar contundido, acertou uma garrafada na cabeça do zagueiro Pinheiro. Até o técnico brasileiro Zezé Moreira entrou na dança e foi flagrado, com uma chuteira na mão como arma, desferindo o golpe em um adversário. A foto foi tirada pelo jornalista Armando Nogueira.

“A foto, publicada no Brasil pelo Diário Carioca, me renderia alguns trocados. Vendi cópias a diversas revistas nacionais e estrangeiras. Em compensação, custou uma boa amizade. Nunca mais Zezé Moreira foi o mesmo comigo”, escreveu Nogueira no livro A Copa que Ninguém Viu e a Que Não Queremos Lembrar.

Fontaine e os 13 gols que abalaram o mundo

23/10/2009
Just Fontaine

Just Fontaine

É marroquino o jogador que mais fez gols em uma Copa do Mundo. Naturalizado francês, Just Fontaine até hoje detém tal recorde, estabelecido na Copa de 1958, ao marcar 13 vezes. O jogador, nascido em Marrakech, passou a atuar no futebol da França a partir de 1953. Já naquele ano naturalizou-se e passou a defender a seleção azul.

Em todas as Copas, somente Ronaldo (15 gols em quatro Copas) e Gerd Muller (14 em duas) superam a quantidade de gols de Just Fontaine. Em um só Mundial, quem que mais se aproxima é o húngaro Kocsis, que fez 11 gols em 1954.

Justo também é dono de outra particularidade na história dos Mundiais. Ao lado de Gighia (1950) e Jairzinho (1970), ele é o único jogador a marcar gols em todas as partidas disputadas numa só Copa.

Foram seis os jogos disputados por Fontaine em 1958. Média superior a dois gols por jogo. Integrando uma linha de frente formada por Kopa, Piantoni, o artilheiro começou a balançar as redes contra o Paraguai. Foram três na vitória por 7×3. Anotou mais dois na derrota por 3×2 para a Iugoslávia e um no triunfo de 2×1 em cima da Escócia. Seis gols apenas na primeira fase.

Nas quartas-de-final foram dois nos 4×0 sobre a Irlanda do Norte. Nas semifinais diante do Brasi, no entanto, Fontaine pouco pôde fazer. Marcou um gol, mas sua Seleção sucumbiu à maestria do Brasil, que se sagraria Campeão Mundial pela primeira vez. Vavá, Didi e Pelé (com três gols), fizeram com que a França se contentasse apenas com a disputa do terceiro lugar.

Fontaine marca mais um em 1958: 13 gols na única Copa que jogou

Fontaine marca mais um em 1958: 13 gols na única Copa que jogou

Não foi de todo ruim para Fontaine. O artilheiro marcou quatro vezes diante da Alemanha Ocidental (placar final 6×3) e chegou aos 13 gols em uma só Copa. Dois anos depois ele sofreu uma fratura na perna, o que abreviou a sua carreira nos gramados.

Em 2008, a Federação Francesa de Futebol elegeu o seu melhor jogador nos últimos 50 anos. Mesmo tendo um histórico de craques como Zidane e Platini, Fontaine foi agraciado com o prêmio. Palmas para Justo.